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Fisioterapia no pós-operatório: quando iniciar e quais os benefícios?

Dra. Bárbara Dantas · CREFITO: 227362-F20 de junho de 2026
Fisioterapeuta auxiliando paciente na reabilitação durante o pós-operatório

Receber alta após uma cirurgia costuma trazer alívio e esperança de retorno à rotina. No entanto, para muitos pacientes, o período pós-operatório é acompanhado por dor, perda de força muscular, limitação dos movimentos e insegurança para realizar atividades simples do dia a dia.

Nesse momento, uma dúvida muito comum surge: quando devo iniciar a fisioterapia?

Algumas pessoas acreditam que é preciso esperar a dor desaparecer ou a cicatrização estar completamente concluída antes de começar a reabilitação. Outras têm receio de que o movimento possa comprometer o resultado da cirurgia.

As evidências científicas atuais mostram que, quando respeitadas as características do procedimento realizado e as orientações da equipe assistente, a reabilitação iniciada no momento adequado está associada a melhores resultados funcionais e a uma recuperação mais segura.

Este artigo apresenta uma visão geral sobre o papel da fisioterapia no pós-operatório. Como cada cirurgia possui particularidades, aspectos específicos de diferentes procedimentos serão abordados em artigos próprios.

A cirurgia encerra o tratamento?

Na maioria dos casos, não.

A cirurgia corrige uma alteração anatômica ou funcional, mas não devolve automaticamente força muscular, mobilidade articular, equilíbrio ou condicionamento físico.

Além disso, períodos de dor, repouso e redução das atividades favorecem perda de massa muscular e diminuição da capacidade funcional. Estudos mostram que apenas cinco dias de imobilização já são suficientes para provocar perda mensurável de volume muscular em membros inferiores, mesmo em adultos saudáveis.

Por esse motivo, programas estruturados de reabilitação fazem parte das recomendações atuais para a recuperação pós-operatória, com o objetivo de restaurar a funcionalidade e promover independência nas atividades diárias.

Quando a fisioterapia deve ser iniciada?

Não existe uma resposta única.

O momento ideal depende de fatores como o tipo de cirurgia realizada, a técnica utilizada, a estabilidade clínica do paciente, a fase do processo de cicatrização e as orientações da equipe médica responsável.

Em muitos procedimentos, a fisioterapia começa ainda durante a internação hospitalar. As diretrizes de Recuperação Aprimorada Após a Cirurgia, conhecidas internacionalmente como protocolos ERAS, recomendam mobilização precoce como um dos pilares do cuidado pós-operatório, com início no próprio dia da cirurgia ou no dia seguinte, sempre que houver condições clínicas para isso.

É importante compreender que iniciar precocemente não significa acelerar etapas da recuperação, mas conduzir cada fase da reabilitação no momento biologicamente adequado, respeitando a cicatrização dos tecidos e a segurança do paciente.

Quais são os benefícios da fisioterapia no pós-operatório?

A reabilitação pós-operatória oferece benefícios que vão muito além do alívio da dor. Entre os principais, destacam-se o controle da dor, a recuperação da força muscular, a prevenção de complicações associadas ao imobilismo e o retorno mais seguro às atividades do dia a dia.

Controle da dor e recuperação do movimento

Após uma cirurgia, a dor e a limitação dos movimentos podem levar o paciente a evitar movimentar a região operada, criando um ciclo de rigidez e perda funcional.

A fisioterapia utiliza estratégias específicas para favorecer o controle da dor e estimular o movimento de forma progressiva e segura, respeitando a fase de recuperação de cada tecido. Esse processo facilita a retomada das atividades cotidianas e reduz limitações decorrentes do desuso.

Recuperação da força muscular

A perda de força muscular pode ocorrer rapidamente após períodos de imobilização. Revisões científicas demonstram que a atrofia muscular se instala em poucos dias de repouso, com taxas que variam conforme o grupo muscular e as condições clínicas do paciente.

Por meio de exercícios terapêuticos individualizados e progressivos, a fisioterapia auxilia na recuperação da força, da estabilidade e do condicionamento físico, favorecendo o retorno às atividades com mais segurança e autonomia.

Prevenção das complicações relacionadas ao imobilismo

Permanecer longos períodos sem se movimentar pode contribuir para perda funcional, rigidez articular e outras complicações associadas ao repouso prolongado.

Uma revisão sistemática publicada em 2025, que analisou mais de 317 mil pacientes submetidos a cirurgia de quadril, identificou que a mobilização precoce, dentro de 48 horas após o procedimento, esteve associada a melhores resultados em 29 dos 33 desfechos avaliados pelos próprios pacientes, além de redução das complicações clínicas e do tempo de internação.

Retorno mais seguro às atividades do dia a dia

O objetivo da fisioterapia vai além da recuperação de movimentos isolados.

O tratamento busca devolver autonomia para caminhar, sentar, levantar, subir escadas, vestir-se, trabalhar e participar das atividades familiares e sociais com segurança. Cada plano terapêutico é elaborado de forma individualizada, considerando as necessidades e os objetivos de cada paciente.

A fisioterapia dói?

Essa é uma preocupação frequente.

Embora alguns exercícios possam gerar desconforto leve durante determinadas fases da recuperação, a fisioterapia não deve provocar sofrimento intenso.

O tratamento é constantemente ajustado conforme a evolução clínica, respeitando os limites do paciente e buscando estimular a recuperação sem sobrecarregar os tecidos em cicatrização.

O repouso absoluto acelera a recuperação?

Na maioria dos casos, não.

Durante muitos anos acreditou-se que permanecer em repouso era a melhor forma de se recuperar após uma cirurgia. Atualmente, as recomendações baseadas em evidências indicam que o repouso prolongado pode retardar a recuperação funcional e favorecer perda de força muscular e rigidez.

As diretrizes da ERAS Society para cirurgia colorretal, publicadas em 2025, recomendam mobilização de pelo menos três horas por dia a partir do primeiro dia após o procedimento, como recomendação forte para a maioria dos pacientes.

Movimentar-se de forma orientada não significa colocar a cirurgia em risco. Pelo contrário: faz parte do processo de recuperação.

Cada cirurgia possui um protocolo específico

Apesar dos princípios gerais da reabilitação serem semelhantes, cada procedimento possui necessidades próprias.

Uma prótese de joelho, por exemplo, exige objetivos diferentes daqueles observados após uma cirurgia de coluna, uma reconstrução ligamentar ou uma mastectomia. Por isso, um programa fisioterapêutico deve sempre ser individualizado e baseado em avaliação clínica detalhada.

Recuperar a função é tão importante quanto o sucesso da cirurgia

Uma cirurgia tecnicamente bem executada representa apenas uma parte do processo de recuperação.

Retomar a independência, recuperar confiança para se movimentar e voltar às atividades que fazem parte da sua vida exige uma reabilitação planejada, individualizada e baseada nas melhores evidências científicas disponíveis.

Se você passou recentemente por um procedimento cirúrgico ou está se preparando para uma cirurgia, uma avaliação fisioterapêutica pode ajudar a identificar suas necessidades e definir a melhor estratégia para cada etapa da recuperação.

Na Avivus Saúde, a fisioterapia é construída em torno das necessidades de cada paciente, respeitando seu tempo de recuperação e seus objetivos funcionais. Um acompanhamento qualificado pode contribuir para uma reabilitação mais segura, eficiente e orientada para a recuperação da sua autonomia e qualidade de vida.

Referências Científicas

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Dra. Bárbara Dantas

CREFITO: 227362-F · Fisioterapeuta | Responsável Técnica da Avivus Saúde

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