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Hérnia de disco tem cura? Entenda quando a Fisioterapia pode evitar a cirurgia.

Dra. Bárbara Dantas · CREFITO: 227362-F12 de junho de 2026
Fisioterapeuta realizando tratamento na coluna de paciente com hérnia de disco

Receber o diagnóstico de hérnia de disco costuma ser um momento de grande preocupação. Para muitas pessoas, a notícia vem acompanhada de dor intensa, dificuldade para realizar atividades simples e do medo de precisar passar por uma cirurgia.

Durante uma crise, é comum surgir o desespero. Na tentativa de aliviar a dor o mais rápido possível, muitos recorrem a medicamentos indicados por amigos ou tratamentos que prometem resultados imediatos. Afinal, quem está sofrendo quer apenas uma coisa: voltar a viver sem dor. Embora algumas dessas medidas possam oferecer um alívio temporário, elas não tratam a causa do problema, e o início de um cuidado adequado acaba sendo adiado.

A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, a hérnia de disco não é uma sentença cirúrgica.

O que é uma hérnia de disco?

A coluna vertebral é formada por vértebras empilhadas umas sobre as outras, separadas por pequenos "amortecedores" chamados discos intervertebrais. Cada disco tem uma parte externa mais firme e um interior mais mole e gelatinoso. A hérnia acontece quando esse miolo interno escapa para fora da sua posição normal, pressionando nervos próximos e provocando dor, formigamento, dormência ou fraqueza nos braços ou nas pernas, dependendo do local afetado.

Existem diferentes graus de hérnia, que vão desde um abaulamento discreto do disco até o extravasamento completo do seu conteúdo. Essa distinção é importante porque influencia tanto o tratamento quanto o prognóstico, como será explicado a seguir.

A hérnia de disco pode melhorar sem cirurgia?

Sim, e essa é uma das informações mais importantes e menos conhecidas sobre a condição.

Estudos de imagem mostram que o material herniado pode ser naturalmente absorvido pelo próprio organismo ao longo do tempo. Isso acontece porque o sistema imunológico reconhece esse tecido fora do lugar e começa a eliminá-lo. Revisões científicas recentes identificaram que isso ocorre em mais de dois terços dos casos tratados de forma conservadora, sem cirurgia.

Curiosamente, as hérnias maiores, com mais material extravasado, tendem a ser absorvidas com mais facilidade do que as menores. Isso pode parecer contraintuitivo, mas faz sentido: quanto mais exposto à circulação, mais facilmente o organismo identifica e remove o tecido herniado.

Isso não significa que toda hérnia desaparece sozinha, nem que basta esperar sem fazer nada. Significa que o corpo tem capacidade de se recuperar, e que essa capacidade é potencializada com um acompanhamento adequado.

Então a cirurgia não é necessária?

Na maioria dos casos, não, pelo menos não como primeira escolha.

As principais diretrizes internacionais de tratamento da hérnia de disco recomendam começar pelo tratamento conservador, ou seja, sem cirurgia, para a grande maioria dos pacientes. A cirurgia passa a ser indicada em situações específicas:

  • Quando há perda de força muscular progressiva nos braços ou nas pernas, comprometendo a capacidade de se mover.
  • Quando surgem sintomas como perda do controle da urina ou do intestino, o que pode indicar compressão de estruturas nervosas mais graves e exige avaliação médica urgente.
  • Quando a dor é muito intensa e não melhora após semanas de tratamento conservador adequado.

Fora dessas situações, a cirurgia não oferece vantagem clara sobre o tratamento conservador a longo prazo. Uma grande revisão científica publicada no BMJ em 2023 comparou os dois caminhos e concluiu que, embora a cirurgia possa aliviar a dor mais rapidamente no início, os resultados entre quem operou e quem fez tratamento conservador tendem a se igualar com o tempo.

Qual é o papel da fisioterapia?

A fisioterapia é uma das principais estratégias recomendadas no tratamento da hérnia de disco. E não se trata apenas de aliviar a dor: um programa bem conduzido age sobre o que mantém o problema ativo e prepara o corpo para não voltar a ter crises com tanta frequência.

Revisões científicas recentes, que reuniram dezenas de estudos com centenas de pacientes, confirmaram que o exercício terapêutico, quando bem orientado, produz melhoras significativas na dor, na capacidade de se movimentar e na qualidade de vida de quem tem hérnia de disco.

Na prática, o trabalho fisioterapêutico acontece em etapas:

No início da crise, o foco é aliviar a dor e ajudar o paciente a se mover com mais segurança. Recursos como terapia manual, recursos eletroterapêuticos e orientações sobre postura e posições de alívio fazem parte dessa fase. O objetivo não é eliminar toda a dor imediatamente, mas torná-la mais tolerável enquanto o processo de recuperação começa.

Com o passar das semanas, entram os exercícios específicos: fortalecimento dos músculos que sustentam a coluna, recuperação da mobilidade e reeducação do movimento. Essa é a etapa mais importante para a recuperação funcional e para evitar recaídas.

Ao longo de todo o processo, a fisioterapia também trabalha com educação. Entender o que é a sua hérnia, o que provoca as crises, como se movimentar no dia a dia e o que fazer quando a dor voltar são informações que mudam a relação do paciente com a própria condição. Quem entende o que está acontecendo no próprio corpo toma decisões melhores e se recupera com mais segurança.

Mas não é melhor ficar de repouso?

Essa é uma das dúvidas mais comuns, e a resposta pode surpreender: repouso prolongado não é recomendado.

Uma ampla revisão de diretrizes internacionais de tratamento da hérnia de disco, publicada em 2025, mostrou que o repouso no leito não tem evidência suficiente para ser recomendado como conduta. Pelo contrário: ficar parado por muito tempo pode levar à perda de força muscular, ao aumento da rigidez e a uma recuperação mais lenta e mais difícil.

Diretrizes clínicas recentes orientam que, mesmo em casos de dor intensa, o período de repouso deve ser curto, e a retomada gradual das atividades deve ser incentivada assim que os sintomas permitam.

Isso não significa ignorar a dor ou forçar movimentos. Significa se manter ativo dentro dos seus limites, com orientação de um profissional que saiba o que está fazendo.

A recuperação leva tempo, e isso é completamente normal

A hérnia de disco raramente aparece de um dia para o outro. Ela costuma ser o resultado de um processo que se desenvolve ao longo de meses ou até anos. Por isso, a recuperação também pede tempo.

Não existe uma sessão milagrosa que resolve tudo. O que existe é um processo de reabilitação consistente, baseado na avaliação de cada caso, que pode controlar a dor, devolver a função e melhorar a qualidade de vida de forma progressiva e sustentável.

Se você convive com dor na coluna, recebeu o diagnóstico de hérnia de disco ou está em dúvida sobre a necessidade de uma cirurgia, procure uma avaliação especializada. A Avivus Saúde realiza atendimento fisioterapêutico domiciliar, com avaliação individualizada e baseada em evidências, para que você inicie sua reabilitação com segurança e conforto, no ambiente da sua própria casa.

Referências Científicas

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Dra. Bárbara Dantas

CREFITO: 227362-F · Fisioterapeuta | Responsável Técnica da Avivus Saúde

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